quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fugindo dos Padrões

Se tem algo que eu acredito que nunca irá acontecer é me verem fugindo do que eu sou. Nunca. Acho que isso é muito particular e muito só meu; não sentir necessidade de ser o que eu não sou e muito menos de fazer parte de um certo grupo. É, isso é muito meu. E isso é tão certo quanto ao fato de eu não conseguir entender as pessoas e não me conformar isso, do tipo: Por que eu não entendo? Eu deveria entender!
É.
Uma das coisas que eu menos entendo é porque a moda existe. Não que não deveria existir, não é isso. Mas essa moda imposta, do tipo “tem que ser assim”, isso me noja muito – aliás, muito me noja -, enfim. O que as pessoas não conseguem entender em pleno século XXI é que o corpo não é um comércio, onde o que é comprado é aquele mais enquadrado nos padrões de beleza da revista Blábláblá ou Tititi.
Entender que o corpo é só o portal que te liga com o mundo, o teu passaporte, é o difícil. Entender que tudo depois apodrece dentro de uma caixa de madeira qualquer – que por sinal também custará o olho da cara – é difícil demais. Comprar roupas da moda, e ter que doar dali seis meses simplesmente porque está fora de moda é pura futilidade. Ter um guarda roupa cheio de saias de cintura alta, uma de cada cor, e ir num show e todo mundo estar com o mesmo modelo de saia, é legal? Intimido-me pelos outros, vergonha alheia mesmo, e mais pasma eu fico porque acham que andar todo mundo igual é legal.
Na minha concepção uma das únicas funções do estereótipo é ele ser aproveitado ao máximo pra transmitir quem tu é. Usar as coisas do teu gosto porque se tem uma opinião. Não ter medo de colocar um vestido dos anos 20, se for o caso, ou o cabelo do Elvis, desde que seja o que tu quer e esse é o jeito que tu se sente bem. Se deixar levar pela moda, mídia e qualquer outra coisa que começa com m – merda talvez – é não ter opinião, não ter estilo e quem não tem isso mais tarde acaba sendo ignorado e chutado pela sociedade porque essa impõe uma regra mas essas regras mudam totalmente no momento que se deve provar caráter. Usar brincos de borboletas grandes e coloridas e não se importar se vão achar ridículo, o óculos que tu quiser, na hora que tu quiser, o chinelo que tu quiser, onde tu quiser. A blusa que tu quiser. É a melhor coisa do mundo. Claro, tudo com bom senso.
Sinceramente, tenho esperanças que tudo um dia muda, que as pessoas vão realmente entender o sentido do estereótipo e pra que ele serve. Que a beleza não se resume a um rosto bonitinho super bem maquiado, uma blusa de oncinha, uma saia de cintura alta e um sapato meia pata, ou a uma flanela, ou um vans, ou um weiferer, ou qualquer outra coisa do gênero. Que a beleza é quem tu é, a tua alma porque isso sim, não importa quantas vezes voltar – se é que volta - isso não vai mudar – na minha opinião. Só espero que eu ainda esteja viva pra conseguir vivenciar o dia que as pessoas evoluírem, porque se não, com certeza, morrerei decepcionada com a humanidade, aliás, mais uma vez, porque chata do jeito que eu sou, já devo ter me decepcionado muitas e muitas vezes.
E, por favor, que fugir dos padrões não vire modinha, porque é bem capaz de alguém gravar um vídeo “Fugindo dos Padrões”, ter 6379343748403823792 de visualizações e todo mundo querer fugir. Aí sim, pode ter certeza: o mundo virará o caos mais bizarro de todos – se é que isso pode existir, mas o que não existe alguém da um jeito de criar, FATO.