Ficar em cima do muro já não te deixa satisfeito. O não querer expor uma opinião já não faz mais parte dos teus princípios. O tanto faz já não serve. O rosa não é a melhor cor do mundo. O teu sonho já não é a bicicleta do ano no Natal, talvez, um amor maior, um casamento, um filho. E pra carteira de motorista falta pouco. O anticoncepcional tá na gaveta e tu esqueceu de tomar hoje. As madrugadas não são o bastante para os nossos trabalhos. 24 horas virou pouco, muito pouco. Os conhecidos são da faculdade, do curso, os do trabalho, os do ex-colégio, os vizinhos, e os amigos são os de sempre - e aqueles que vão adotando esse cargo. O café vira o melhor vício de todos os tempos. A vontade de ter todo mundo por perto não é a mesma; a vontade de ter o teu mundo por perto é a maior do mundo.
Agora é tu por ti. Agora entende que escolhe quem quer no teu mundo. Que não é obrigado a conviver com ninguém. Que as opiniões e as decisões são tuas, só tuas, e que não precisa conviver com quem discorda (por mais estúpido que isso possa parecer). E é no meio disso tudo que te perde. E é no meio disso tudo que te vê longe de um mundo que não queria que fosse, mas que é preciso ir. E é no meio disso que vê tua imagem sendo deformada, sem nem mesmo fazer nada. E é no meio disso tudo que ganha poderes grande, mas que não queria ter ganhado. E é no meio disso tudo, que só queria, uma vez, que tudo que fosse extra e que tivesse longe do teu mundo – ou aquele que tu queria que fosse - te esquecesse; isso tá encomodando.
É aqui que acabamos virando amigos de quem nunca pareceu que seríamos - nos questionamos do porquê nunca termos falado com eles antes. Tu aprende a fazer amigos, aprende a viver, aprende a sorrir, a ser simpático, a querer que as pessoas te queiram por perto. Aprende a confiar nos outros; precisa de apoio. E tu conta, e tu fala, sem mesmo saber se é o certo, mas porque tu acha que é o certo e o que tu acha vira lei (lei do teu mundo). Tu aprende que pra tudo só depende de ti. As decisões não são mais tomadas pelos teus pais (ou não deveriam). É tu por ti, e é assim. A saudade já não é de quem foi, a saudade é do que passou, porque as pessoas ainda estão aqui, mas elas também mudaram – ou se transformaram.
O all star que está no teu pé já faz 4 anos, e tu nem notou. Todos sabem falar, falar, e falar, mas, hey, isso é mesmo de agora? Os outros já são quase tão grandes quanto tu, daquele jeito que tu nunca imaginou que tu fosse. Dinheiro nunca é o bastante. “E seu eu escolher A ao invés de B? Bem, aí é contigo!” E tu ama, sabe que ama, pelo que passou, pelo que foi, pelo que mudou… Mas se hoje já não se sente parte, e como cortar o cordão? E nem todo mundo quer jogar, tem gente trapaceando. Mas você tem mais o que fazer, bem mais. Vontade de chorar; vontade de sumir.
Bem-vindo ao mundo…
É, meu bem. Você cresceu.