domingo, 26 de setembro de 2010

?

Em quem acreditar? Quem eu devo escutar? Qual verdade eu devo seguir? Perguntas sem respostas ou essas são as respostas ? Ãhn, que?

Vontade de sumir e de me enfiar no primeiro buraco da face da terra que correr pelos meus olhos. Ficar lá o tempo suficiente para que eu volte com ideias formadas o suficiente para que eu me defenda o suficiente de todas as verdades e mentiras que giram em torno de mim (ou que estão sendo centro da minha rota).

Vontade de me afogar nas minhas próprias mágoas, de descobrir quem eu sou e no que eu quero, em quem eu acredito. Por que é tão difícil? Por que as dúvidas insistem na minha mente e se repetem, se repetem, se repetem, como aquelas canções chatas de crianças?

Vontade de parar o tempo e conseguir observar as pessoas, principalmente aquelas minhas (ou que eu queria que fossem), seus olhos, suas expressões, suas manias...; Vontade de voltar no tempo e conseguir observar as pessoas, principalmente aquelas que deveriam ser minhas (ou as que eu queria que fossem), seus risos, suas palavras, seus movimentos...; Vontade passar o tempo e observar as pessoas, principalmente aquelas que deverão ser minhas (ou as que eu vou querer que sejam), seus cheiros, suas vozes, suas vidas...

Vontade de matar toda a saudade armazenada em mim, de viver sem preocupação, de ter todo mundo de volta do meu lado. De não fazer nada, não pensar em nada, não me preocupar. De pular e ser e bem, e muito bem; de ter o primeiro imaturo sofrido amor, de chorar por besteira e de sonhar do melhor jeito do mundo (do meu jeito!).

Eu cresci.

E se eu quiser o colo da minha mãe no dia que eu descobrir que não passei no vestibular? E se eu esperar acordar e enxergar as pegadas do coelhinho? E se eu quiser ouvir "É o tchan" e dançar de qualquer jeito? E se eu tiver que fazer cinquenta mil vezes a prova para passar na auto escola? E se eu falir uma empresa? E se eu fracassar e terminar a vida em qualquer canto de uma cidade grande, sozinha? E se mais tarde eu descobrir que a doença que eu tenho é rara e ninguém sabe a cura?

Porque o mundo lá fora é tão tentador e tão perigoso? Por que o que eu mais quis na minha vida inteira é o que eu mais temo agora? Por que eu choro sem lágrimas e só sinto um nó na garganta e o meu sofrimento não é mais por não poder ficar em festas até tarde?

Por que dói tanto e eu não posso reclamar? Por que, por que, por que?

Procuro, procuro, e só encontro mais perguntas sem respostas ou essas são as respostas? Ãhn, que?

domingo, 12 de setembro de 2010

Mudou?

Não temos nossos oitenta anos de altas experiências, mas já sabemos que estamos vivendo em uma época em que o casamento não é mais aos catorze e o namoro já não é no portão... As viagens já não são de navio fugindo das guerras e as máquinas de escrever não são mais utilizadas... Não precisamos plantar para sobreviver e, muito menos, costurar as nossas próprias roupas, produzir nossos sapatos, matar a carne que vai nos alimentar. Não podemos levar chibatadas e o banho já é questão de educação. Não precisamos crer numa única religião. A igreja não precisa mostrar o que acontece por trás dos panos... Isso a mídia faz! Não necessitamos de consultas em altas enciclopédias, discos; temos a maior biblioteca de todos os tempos em um clique.
Não precisamos produzir o nosso próprio fogo através de duas pedras, não vivemos apenas para reproduzir, não fugimos de mamutes para a sobrevivência, nossas escritas não são nas cavernas e as nossas armas não são manufaturadas... Já não sofremos forte repressão, não somos “obrigados” a ser brancos e a dissipar os judeus; Aliás, não somos obrigados a acreditarem ninguém! Há menos probabilidade de sermos expulsos de casa ao assumir a homossexualidade. As nossas doenças já não são tão desconhecidas e o preconceito étnico é ilegal. Não brincamos com io-io, pião, de cirandinha, ou qualquer outra coisa ultrapassada. Não ajoelhamos no milho se desobedecermos a professora e não pisamos nas uvas para a produção do vinho. Meninas com 14 anos grávidas já não é tão anormal e na adolescência sabemos que os lobos maus, na maneira mais Sirius da palavra, não existem. Ouvir Beatles, Mamonas Assassinas, Elvis, Spice Girls, não é moda, é opção. Não carregamos cestos na cabeça e lavamos a roupa no ribeirão mais próximo. Blusas estampadas com calças listradas são “jecas”, mas o xadrez já voltou a fazer parte da moda antes dos Wayfarers. Não precisamos que Ícaro voou com asas feitas de penas e cera ou em qualquer outra coisada mitologia. A coca-cola já não é mais 5 centavos e a crise não é nos Eua... 20% da Floresta Amazônica de 1990 já virou cinza. A escova de dentes não é feita de pelos de porcos e quase ninguém sabe que o chiclete, nosso mais antigo amigo, é retirado de uma árvore da América Central. Há todo momento pessoas são trocadas por cartões de créditos; parques são trocados por shoppings; o natural é trocado pelo artificial. Percebemos que a vida desenvolveu, as cabeças das pessoas mudaram... Tudo Mudou... Ilusão... Nada mudou!
As pessoas continuam se magoando quando são substituídas por qualquer coisa paga, seja com o Dólar, Euro, Real, Guarani, Peso ou Pila. Há muito tempo as mulheres já reclamavam das canastras e bebedeiras dos maridos, atualmente, o famoso futebolzinho. Desde sempre muitas crianças foram excluídas, não se manifestavam... Hoje elas sofrem Bullying. A sexualidade e as drogas sempre foram assuntos de fortes impactos na adolescência, só que isso nunca foi muito dito. O idoso sempre foi mais sábio e sua fé sempre foi muito mais forte... A comunicação sempre existiu, em cada tempo da sua maneira; a música sempre existiu, em cada tempo da sua maneira; a dança sempre existiu, em cada tempo da sua maneira... Mudam-se os cenários... Mudam-se os personagens... Mas o roteiro é sempre o mesmo!
Hoje, temos muito mais que ontem e muito menos que amanhã... Hoje, temos muito menos que ontem e muito mais que amanhã... Simples é achar que as coisas sempre são muito ruins para nós... Egocentrismo! Os tempos são outros, são modernos... E hoje ele sempre será moderno.
Na vida tudo vale a pena; mesmo nas mais estranhas situações, acabamos sentindo alguma coisa, mas mais intensas relações, perdemos alguma coisa e nos mais incríveis momentos, aprendemos alguma coisa... Só não aprendemos a abrir os olhos... Mas isso não depende dos outros...
(http://www.youtube.com/user/gisellacassol?feature=mhum#p/u/0/DMZ81EirT3g)