terça-feira, 19 de julho de 2011

Mundo.

Ficar em cima do muro já não te deixa satisfeito. O não querer expor uma opinião já não faz mais parte dos teus princípios. O tanto faz já não serve. O rosa não é a melhor cor do mundo. O teu sonho já não é a bicicleta do ano no Natal, talvez, um amor maior, um casamento, um filho. E pra carteira de motorista falta pouco. O anticoncepcional tá na gaveta e tu esqueceu de tomar hoje. As madrugadas não são o bastante para os nossos trabalhos. 24 horas virou pouco, muito pouco. Os conhecidos são da faculdade, do curso, os do trabalho, os do ex-colégio, os vizinhos, e os amigos são os de sempre - e aqueles que vão adotando esse cargo. O café vira o melhor vício de todos os tempos. A vontade de ter todo mundo por perto não é a mesma; a vontade de ter o teu mundo por perto é a maior do mundo.
Agora é tu por ti. Agora entende que escolhe quem quer no teu mundo. Que não é obrigado a conviver com ninguém. Que as opiniões e as decisões são tuas, só tuas, e que não precisa conviver com quem discorda (por mais estúpido que isso possa parecer). E é no meio disso tudo que te perde. E é no meio disso tudo que te vê longe de um mundo que não queria que fosse, mas que é preciso ir. E é no meio disso que vê tua imagem sendo deformada, sem nem mesmo fazer nada. E é no meio disso tudo que ganha poderes grande, mas que não queria ter ganhado. E é no meio disso tudo, que só queria, uma vez, que tudo que fosse extra e que tivesse longe do teu mundo – ou aquele que tu queria que fosse - te esquecesse; isso tá encomodando.
É aqui que acabamos virando amigos de quem nunca pareceu que seríamos - nos questionamos do porquê nunca termos falado com eles antes. Tu aprende a fazer amigos, aprende a viver, aprende a sorrir, a ser simpático, a querer que as pessoas te queiram por perto. Aprende a confiar nos outros; precisa de apoio. E tu conta, e tu fala, sem mesmo saber se é o certo, mas porque tu acha que é o certo e o que tu acha vira lei (lei do teu mundo). Tu aprende que pra tudo só depende de ti. As decisões não são mais tomadas pelos teus pais (ou não deveriam). É tu por ti, e é assim. A saudade já não é de quem foi, a saudade é do que passou, porque as pessoas ainda estão aqui, mas elas também mudaram – ou se transformaram.
O all star que está no teu pé já faz 4 anos, e tu nem notou. Todos sabem falar, falar, e falar, mas, hey, isso é mesmo de agora? Os outros já são quase tão grandes quanto tu, daquele jeito que tu nunca imaginou que tu fosse. Dinheiro nunca é o bastante. “E seu eu escolher A ao invés de B? Bem, aí é contigo!” E tu ama, sabe que ama, pelo que passou, pelo que foi, pelo que mudou… Mas se hoje já não se sente parte, e como cortar o cordão? E nem todo mundo quer jogar, tem gente trapaceando. Mas você tem mais o que fazer, bem mais. Vontade de chorar; vontade de sumir.
Bem-vindo ao mundo…
É, meu bem. Você cresceu.

sábado, 21 de maio de 2011

E se alguma outra vida parecer que gente se conhece de algum lugar...

É. Realmente é difícil acreditar que no fim a gente não vai ficar juntos como em todos os contos de fadas. Que tu não vai vir me buscar em um cavalo branco e me apresentar pra todo o teu reino. Que tu não vai ser um herói me salvando de um terrível monstro de 50 cabeças. Ou que tu não vai me ligar, me convidando pra ir pra rua na noite mais entendiante da minha vida.
Mas se eu consegui ter coragem pra escrever é, só porque, já não existe nada.
Lamento.

Até hoje eu lembro bem:
12 anos e te conheci.
Meio que numa noite nada especial, num lugar que, até então, não tinha nada de especial, e tu uma pessoa nem um pouco especial. Até que as coisas foram acontecendo meio sem eu querer. Tardes e noites juntos.

Bem, aí as coisas mudaram:
Um melhor amigo como eu nunca havia tido. E os sentimentos se repetiam e eu me sentia tão grande e tão útil ao estar contigo. A certeza de que nunca sentiria isso por mais ninguém - até hoje carrego ela. E foi tão rápido.

Meus ciúmes; Meu choro. Teus ciúmes; Tua raiva.
Rotina.
E tempo não parou.

Tu já longe.
E eu já não acreditei mais em amor e em nada que deriva.
Já não acreditava em nada tão incrivelmente bom - suspiros;
Já não acreditava em nada tão incrivelmente ruim - orgulho.
Já não acreditei em quase nada.
Já não aceitei essa ironia do tempo.
Já quis não ter que passar por isso.

Acabamos alimentando lembranças nada originais da nossa adolescência.
E mesmo sabendo que tem carinho, optamos pelo pior e mais sensato caminho, talvez.
E algo muito menor que a distância te levou pra longe.
Os meus porres piores; As minhas confissões.
A melhor notícia que tu poderia receber.
Minhas fichas caíram...

Nunca estive tão longe de ti. Mas nem me atrevo em voltar agora. Isso é só pra te lembrar (eu não sou de acreditar em outras vidas e afins): se em alguma outra vida parecer que a gente se conhece de algum lugar...
Bem, vai ver que é porque a gente se conheceu.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fugindo dos Padrões

Se tem algo que eu acredito que nunca irá acontecer é me verem fugindo do que eu sou. Nunca. Acho que isso é muito particular e muito só meu; não sentir necessidade de ser o que eu não sou e muito menos de fazer parte de um certo grupo. É, isso é muito meu. E isso é tão certo quanto ao fato de eu não conseguir entender as pessoas e não me conformar isso, do tipo: Por que eu não entendo? Eu deveria entender!
É.
Uma das coisas que eu menos entendo é porque a moda existe. Não que não deveria existir, não é isso. Mas essa moda imposta, do tipo “tem que ser assim”, isso me noja muito – aliás, muito me noja -, enfim. O que as pessoas não conseguem entender em pleno século XXI é que o corpo não é um comércio, onde o que é comprado é aquele mais enquadrado nos padrões de beleza da revista Blábláblá ou Tititi.
Entender que o corpo é só o portal que te liga com o mundo, o teu passaporte, é o difícil. Entender que tudo depois apodrece dentro de uma caixa de madeira qualquer – que por sinal também custará o olho da cara – é difícil demais. Comprar roupas da moda, e ter que doar dali seis meses simplesmente porque está fora de moda é pura futilidade. Ter um guarda roupa cheio de saias de cintura alta, uma de cada cor, e ir num show e todo mundo estar com o mesmo modelo de saia, é legal? Intimido-me pelos outros, vergonha alheia mesmo, e mais pasma eu fico porque acham que andar todo mundo igual é legal.
Na minha concepção uma das únicas funções do estereótipo é ele ser aproveitado ao máximo pra transmitir quem tu é. Usar as coisas do teu gosto porque se tem uma opinião. Não ter medo de colocar um vestido dos anos 20, se for o caso, ou o cabelo do Elvis, desde que seja o que tu quer e esse é o jeito que tu se sente bem. Se deixar levar pela moda, mídia e qualquer outra coisa que começa com m – merda talvez – é não ter opinião, não ter estilo e quem não tem isso mais tarde acaba sendo ignorado e chutado pela sociedade porque essa impõe uma regra mas essas regras mudam totalmente no momento que se deve provar caráter. Usar brincos de borboletas grandes e coloridas e não se importar se vão achar ridículo, o óculos que tu quiser, na hora que tu quiser, o chinelo que tu quiser, onde tu quiser. A blusa que tu quiser. É a melhor coisa do mundo. Claro, tudo com bom senso.
Sinceramente, tenho esperanças que tudo um dia muda, que as pessoas vão realmente entender o sentido do estereótipo e pra que ele serve. Que a beleza não se resume a um rosto bonitinho super bem maquiado, uma blusa de oncinha, uma saia de cintura alta e um sapato meia pata, ou a uma flanela, ou um vans, ou um weiferer, ou qualquer outra coisa do gênero. Que a beleza é quem tu é, a tua alma porque isso sim, não importa quantas vezes voltar – se é que volta - isso não vai mudar – na minha opinião. Só espero que eu ainda esteja viva pra conseguir vivenciar o dia que as pessoas evoluírem, porque se não, com certeza, morrerei decepcionada com a humanidade, aliás, mais uma vez, porque chata do jeito que eu sou, já devo ter me decepcionado muitas e muitas vezes.
E, por favor, que fugir dos padrões não vire modinha, porque é bem capaz de alguém gravar um vídeo “Fugindo dos Padrões”, ter 6379343748403823792 de visualizações e todo mundo querer fugir. Aí sim, pode ter certeza: o mundo virará o caos mais bizarro de todos – se é que isso pode existir, mas o que não existe alguém da um jeito de criar, FATO.

domingo, 26 de setembro de 2010

?

Em quem acreditar? Quem eu devo escutar? Qual verdade eu devo seguir? Perguntas sem respostas ou essas são as respostas ? Ãhn, que?

Vontade de sumir e de me enfiar no primeiro buraco da face da terra que correr pelos meus olhos. Ficar lá o tempo suficiente para que eu volte com ideias formadas o suficiente para que eu me defenda o suficiente de todas as verdades e mentiras que giram em torno de mim (ou que estão sendo centro da minha rota).

Vontade de me afogar nas minhas próprias mágoas, de descobrir quem eu sou e no que eu quero, em quem eu acredito. Por que é tão difícil? Por que as dúvidas insistem na minha mente e se repetem, se repetem, se repetem, como aquelas canções chatas de crianças?

Vontade de parar o tempo e conseguir observar as pessoas, principalmente aquelas minhas (ou que eu queria que fossem), seus olhos, suas expressões, suas manias...; Vontade de voltar no tempo e conseguir observar as pessoas, principalmente aquelas que deveriam ser minhas (ou as que eu queria que fossem), seus risos, suas palavras, seus movimentos...; Vontade passar o tempo e observar as pessoas, principalmente aquelas que deverão ser minhas (ou as que eu vou querer que sejam), seus cheiros, suas vozes, suas vidas...

Vontade de matar toda a saudade armazenada em mim, de viver sem preocupação, de ter todo mundo de volta do meu lado. De não fazer nada, não pensar em nada, não me preocupar. De pular e ser e bem, e muito bem; de ter o primeiro imaturo sofrido amor, de chorar por besteira e de sonhar do melhor jeito do mundo (do meu jeito!).

Eu cresci.

E se eu quiser o colo da minha mãe no dia que eu descobrir que não passei no vestibular? E se eu esperar acordar e enxergar as pegadas do coelhinho? E se eu quiser ouvir "É o tchan" e dançar de qualquer jeito? E se eu tiver que fazer cinquenta mil vezes a prova para passar na auto escola? E se eu falir uma empresa? E se eu fracassar e terminar a vida em qualquer canto de uma cidade grande, sozinha? E se mais tarde eu descobrir que a doença que eu tenho é rara e ninguém sabe a cura?

Porque o mundo lá fora é tão tentador e tão perigoso? Por que o que eu mais quis na minha vida inteira é o que eu mais temo agora? Por que eu choro sem lágrimas e só sinto um nó na garganta e o meu sofrimento não é mais por não poder ficar em festas até tarde?

Por que dói tanto e eu não posso reclamar? Por que, por que, por que?

Procuro, procuro, e só encontro mais perguntas sem respostas ou essas são as respostas? Ãhn, que?

domingo, 12 de setembro de 2010

Mudou?

Não temos nossos oitenta anos de altas experiências, mas já sabemos que estamos vivendo em uma época em que o casamento não é mais aos catorze e o namoro já não é no portão... As viagens já não são de navio fugindo das guerras e as máquinas de escrever não são mais utilizadas... Não precisamos plantar para sobreviver e, muito menos, costurar as nossas próprias roupas, produzir nossos sapatos, matar a carne que vai nos alimentar. Não podemos levar chibatadas e o banho já é questão de educação. Não precisamos crer numa única religião. A igreja não precisa mostrar o que acontece por trás dos panos... Isso a mídia faz! Não necessitamos de consultas em altas enciclopédias, discos; temos a maior biblioteca de todos os tempos em um clique.
Não precisamos produzir o nosso próprio fogo através de duas pedras, não vivemos apenas para reproduzir, não fugimos de mamutes para a sobrevivência, nossas escritas não são nas cavernas e as nossas armas não são manufaturadas... Já não sofremos forte repressão, não somos “obrigados” a ser brancos e a dissipar os judeus; Aliás, não somos obrigados a acreditarem ninguém! Há menos probabilidade de sermos expulsos de casa ao assumir a homossexualidade. As nossas doenças já não são tão desconhecidas e o preconceito étnico é ilegal. Não brincamos com io-io, pião, de cirandinha, ou qualquer outra coisa ultrapassada. Não ajoelhamos no milho se desobedecermos a professora e não pisamos nas uvas para a produção do vinho. Meninas com 14 anos grávidas já não é tão anormal e na adolescência sabemos que os lobos maus, na maneira mais Sirius da palavra, não existem. Ouvir Beatles, Mamonas Assassinas, Elvis, Spice Girls, não é moda, é opção. Não carregamos cestos na cabeça e lavamos a roupa no ribeirão mais próximo. Blusas estampadas com calças listradas são “jecas”, mas o xadrez já voltou a fazer parte da moda antes dos Wayfarers. Não precisamos que Ícaro voou com asas feitas de penas e cera ou em qualquer outra coisada mitologia. A coca-cola já não é mais 5 centavos e a crise não é nos Eua... 20% da Floresta Amazônica de 1990 já virou cinza. A escova de dentes não é feita de pelos de porcos e quase ninguém sabe que o chiclete, nosso mais antigo amigo, é retirado de uma árvore da América Central. Há todo momento pessoas são trocadas por cartões de créditos; parques são trocados por shoppings; o natural é trocado pelo artificial. Percebemos que a vida desenvolveu, as cabeças das pessoas mudaram... Tudo Mudou... Ilusão... Nada mudou!
As pessoas continuam se magoando quando são substituídas por qualquer coisa paga, seja com o Dólar, Euro, Real, Guarani, Peso ou Pila. Há muito tempo as mulheres já reclamavam das canastras e bebedeiras dos maridos, atualmente, o famoso futebolzinho. Desde sempre muitas crianças foram excluídas, não se manifestavam... Hoje elas sofrem Bullying. A sexualidade e as drogas sempre foram assuntos de fortes impactos na adolescência, só que isso nunca foi muito dito. O idoso sempre foi mais sábio e sua fé sempre foi muito mais forte... A comunicação sempre existiu, em cada tempo da sua maneira; a música sempre existiu, em cada tempo da sua maneira; a dança sempre existiu, em cada tempo da sua maneira... Mudam-se os cenários... Mudam-se os personagens... Mas o roteiro é sempre o mesmo!
Hoje, temos muito mais que ontem e muito menos que amanhã... Hoje, temos muito menos que ontem e muito mais que amanhã... Simples é achar que as coisas sempre são muito ruins para nós... Egocentrismo! Os tempos são outros, são modernos... E hoje ele sempre será moderno.
Na vida tudo vale a pena; mesmo nas mais estranhas situações, acabamos sentindo alguma coisa, mas mais intensas relações, perdemos alguma coisa e nos mais incríveis momentos, aprendemos alguma coisa... Só não aprendemos a abrir os olhos... Mas isso não depende dos outros...
(http://www.youtube.com/user/gisellacassol?feature=mhum#p/u/0/DMZ81EirT3g)